Fazer o dinheiro sobrar em período no qual a renda não acompanha a elevação dos preços de quase tudo merece ser premiado. Só que o tamanho do prêmio depende de outro esforço, o de observar a opção financeira que garanta a melhor remuneração por deixar de usar o dinheiro e, se a ideia é ter baixo risco, o Tesouro Direto – que é a compra de título público com a segurança do Tesouro Nacional – pode ser a solução. Principalmente para quem, até hoje, só deixou o dinheiro padecendo na poupança.

Diferença

Não há exagero na insatisfação com a poupança. Nos últimos 12 meses, ela teve rentabilidade de apenas 7,47%, contra inflação de 8,89% e, historicamente, registrou o pior desempenho dos últimos 12 anos. Em compensação, quem resolveu comprar títulos públicos indexados à taxa Selic (taxa básica de juros) com vencimento em 3 de março de 2017, receberia, em caso de venda antecipada realizada em junho, mais de 11% de rentabilidade acumulada passados 12 meses.
Esse mesmo título, no início desta semana (veja o quadro da rentabilidade no dia 20) já ultrapassava a marca de 1% de rentabilidade no mês.

Escolha acertada

Para o economista e consultor da AGL Investimentos, Dante Francisco D’Agostini, esse tipo de título é a escolha mais apropriada para evitar perdas nos próximos 12 meses. “O LFT pós-fixada (indexado à Selic) é a aposta mais conservadora e segura no curto prazo, com taxas de juros estabilizando e sem estar claro como vão se comportar os preços básicos de produtos como o combustível, que está baixo, para evitar mais pressão sobre a inflação”, explica.

Momento

Segundo ele, neste momento, escolher um título pré-fixado e atrelado a um índice inflacionário como o IPCA poderia representar perda se o juro de mercado subir ou a inflação for maior do que a projetada quando o título foi comprado.
Não dá para ter preguiça de analisar as tabelas de rentabilidade e de taxas de administração e custódia cobradas pelas instituições financeiras habilitadas (se a ideia é colocar as mãos no tesouro que o governo, desde 2002, possibilitou aos cidadãos brasileiros). “O programa do Tesouro Direto permitiu ao cidadão brasileiro um ganho igual ao do banco, que antes era o único autorizado a comprar dívida do governo e a ter boa rentabilidade com essa operação”, explica D’Agostini.

Riscos e Vantagens

Embora seja bem remoto, governos podem enfrentar episódios de inadimplência. O que de fato ameaça os ganhos do investidor do Tesouro Direto é o tipo de compra, pré ou pós-fixada, e a qual indexação estará submetido o título comprado (veja o quadro 2).

Outro ponto a ser levado em consideração é que se o investidor permanecer com o título comprado até a data de vencimento, a rentabilidade alcançada será a contratada inicialmente. Se vender antes da data estabelecida, o investidor receberá pelo título seu preço de mercado, de acordo com as condições de mercado do dia. Nesse sentido, a melhor forma de evitar perdas é adequar a compra do título ao tipo de objetivo que se tem para aquele investimento.

Bom acima de R$ 3 mil

Quem compra título público nada mais faz do que “emprestar” dinheiro ao governo federal. É por isso que também pode ser tratado como compra de dívida. A grande vantagem desse tipo de investimento é que o Tesouro Nacional não só garante o pagamento, como a recompra diária, tanto em venda antecipada quanto no vencimento contratado.

O economista ta,mbém não recomenda esse investimento para quem tem menos de R$ 3 mil, embora o Sistema do Tesouro Nacional deixe claro que com apenas R$ 30,00 pode-se iniciar a aplicação. “A rentabilidade com um capital inferior a R$ 3 mil não compensa os custos inerentes à aplicação. Também recomendo aplicações com prazos superiores a um ano, para não perder com taxas mais pesadas de tributação”, orienta o economista e consultor da AGL Investimentos, Dante Francisco D’Agostini.

Taxas

Ele também ressalta que o investidor deve estar atento para o custo de todas as taxas. “Alguns agentes não cobram taxa de administração, mas cobram sobre o valor do vencimento, ou a cada seis meses em título pré-fixados semestralmente. Além disso, deve-se observar quanto o agente precifica a taxa de custódia”.

Por Magaléa Mazziotti – Tribunapr.com.br

Categorias: Dicas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *